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18/07/11

Carpinejando... Curioso e certo!




E por ocasião de uma data especial, me chegou até as mãos "Mulher perdigueira", comecei a folhear. Devorei. Engraçado como Deus me abençoa em acasos! Às vezes, sinto epifanias que nem sei. É isso... nem sei. Acho que sempre me envolvo em histórias malucas, impossíveis e complicadas porque, de verdade mesmo, eu também sou um pouco Sísifo... Conhecem a história? Personagem da mitologia grega, foi condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, só para vê-la rolar para baixo novamente. Quantas e quantas vezes não fomos Sísifos em nossos relacionamentos diários? Insistindo numa vida que não é nossa, que não nos faz bem. Impressionante como a gente sofre por nada!

Quero deixar aqui um trecho de uma crônica do livro que eu recomendo intensamente. E a reflexão:

"O ansioso é o que tenta sabendo que vai dar errado. Ele quer dar errado para provar que sua teimosia valeu a pena. Na ausência de dificuldade, não há glória na mortificação. Na ausência de entraves, serei um desempregado amoroso. Eu me fio nas urgências, nos problemas, nos conflitos para me valorizar. Longe dos incômodos, terei que vadiar minha alegria, o que raramente me permito... Há um delírio de grandeza, o mundo não irá continuar sem aquele ato, que o universo das relações afetivas depende de minha resposta. Na minha imaginação, sou sempre o sobrevivente dos filmes apocalípticos, aquele que escapou de um maremoto, da bomba nuclear ou de um vírus letal. Isso me lembrou o quanto já sofri à toa (...) Não pode ser sadio o que nos irrita. Ficava ranzinza, ameaçado. O ansioso se enxerga, pronto a ser denunciado. Uma paranóia forçada. (...) Dedicação é o que a gente faz sem nos agredir, aquilo que ostentava poderia chamar de renúncia. Eu me batia, eu me esfolava, eu me censurava, eu me humilhava".

Doloroso e intenso, né? Me identifiquei demais... parece até que senti na pele. E senti, e sinto, todo dia. Como tudo, muito! Mas que, de hoje em diante, a gente se permita à vadiagem na alegria... ou de que é que vai servir essa vida?

Pelos amores felizes, pelos dias melhores, pelas amarras defeitas, agora e para sempre, amém!

Elenita Rodrigues, adaptado.

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